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A cannabis virou moda ou sempre foi lifestyle?

Curiosidades • 24.08.2026

Da contracultura ao design, do beck escondido ao branding minimalista: a cannabis mudou ou foi o mundo que finalmente começou a olhar para ela de outro jeito?

Você piscou e a cannabis ficou cool. A folhinha está no boné, no objeto de design, no evento, no skincare e no feed daquele amigo que, até outro dia, jamais postaria uma foto com uma folha estampada na camisa. Parece novidade. Mas segura essa marola porque a história não começou no Instagram.

Muito antes de ganhar embalagem bonita, tipografia moderninha e lugar cativo no universo do lifestyle, a cannabis já atravessava culturas, comportamentos e identidades. Esteve ligada à espiritualidade e à medicina, embalou movimentos musicais, frequentou rodas de artistas, virou símbolo da contracultura e ajudou a construir códigos que muita gente reconhece até hoje.

Reggae, rock, hip-hop, movimento hippie, skate, praia, underground. Em diferentes momentos, ela encontrava seu espaço. Para muita gente, era também marcador de identidade, contestação e pertencimento. Mas existia um preço social por isso. Durante décadas, a criminalização e o estigma ajudaram a construir uma imagem muito específica da cena canábica. Enquanto algumas culturas incorporavam a erva aos seus códigos, boa parte do mainstream preferia manter distância. A cannabis estava na cultura. Só não estava convidada para sentar na mesa da frente.

Algumas décadas, mudanças culturais e processos de regulamentação mundo afora e, então, o cenário começou a ficar diferente. Moda, arte, gastronomia, cosmética, tecnologia, design, bem-estar. A cannabis passou a circular por territórios que antes pareciam improváveis. Aquilo que ficava escondido na gaveta ganhou design suficiente para ficar em cima da mesa.

Enfim, se lifestyle é um conjunto de escolhas, códigos, referências e comportamentos através dos quais alguém expressa um pouco de quem é, fica difícil dizer que a cannabis só entrou nessa conversa agora. Ela já estava na música, na roda de amigos, no festival, na arte, na política, na relação com a natureza e no jeito de enxergar liberdade e comportamento.

O que acontece agora é que hoje existe ciência, tecnologia, pesquisa, ativismo, empreendedorismo e genética orbitando o universo canábico. A cannabis deixou de caber em uma única tribo.

Então, virou moda? Em alguns lugares, certamente virou também. Mas dizer que ela acabou de virar lifestyle seria chegar atrasado na roda e achar que o papo começou quando você sentou. A planta já atravessava estilos de vida muito antes de o lifestyle descobrir que ela rendia uma bela direção de arte. Talvez a novidade seja outra: a cannabis não precisou entrar na cultura. Foi a cultura que, aos poucos, começou a admitir o quanto ela já estava lá.

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